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Setor de caminhões registra queda de 12% e preocupa montadoras

Juros altos e incerteza econômica frearam as encomendas de frotas. Transportadoras postergam renovação e o mercado de pesados sente o impacto.

O mercado de caminhões pesados e semipesados registrou queda de 12,3% no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a Fenabrave. O dado preocupa as montadoras de veículos comerciais, que vinham de três anos consecutivos de crescimento.

Os fatores por trás da retração

O principal fator é o custo do crédito. Com a Selic elevada, as taxas de financiamento para caminhões zero-km ficaram entre 18% e 24% ao ano — patamares que tornam a renovação de frota economicamente desfavorável para a maioria das transportadoras. "Prefiro manter o caminhão mais velho rodando a pagar R$ 6 mil por mês de prestação", resumiu um transportador autônomo do interior de São Paulo.

A incerteza sobre novas regras de frete mínimo e a volatilidade do preço do diesel também contribuíram para que decisões de investimento fossem adiadas.

Segmentos que resistem

Nem todos os subsetores caíram na mesma proporção. Os caminhões fora de estrada (mineração e construção civil) mostraram resiliência, com recuo de apenas 4%, sustentados pelos projetos de infraestrutura do PAC. Os ônibus urbanos, impulsionados pela renovação de frotas municipais com financiamento do BNDES, cresceram 8% no período.

Perspectiva para o segundo semestre

Se o Banco Central confirmar cortes adicionais de juros a partir de maio, como indicam algumas projeções, o segundo semestre pode trazer recuperação. As montadoras como Volvo, Scania e Mercedes-Benz Trucks já reajustaram para baixo suas projeções anuais, mas mantêm cautela otimista para o final do ano.

Categoria: mercado