O Brasil emplacou 54.200 veículos elétricos a bateria (BEV) em 2024, crescimento de 58% sobre 2023. O número é expressivo na comparação percentual, mas o contexto importa: esse total representa apenas 1,9% dos licenciamentos gerais. Para efeito de comparação, a Noruega supera 90% de participação de elétricos. O Brasil ainda está no início dessa transição.
Quem compra elétrico no Brasil?
O perfil típico do comprador de elétrico no país é o consumidor de renda mais alta, residente em capitais do Sudeste, que usa o veículo principalmente em percursos urbanos e tem garagem própria para instalação de carregador doméstico. A China, via BYD, domina as vendas com modelos como o Dolphin e o Seal, que equilibram bem preço e autonomia.
Os gargalos que travam a expansão
Três barreiras estruturais limitam o crescimento mais rápido da eletromobilidade:
- Preço: o elétrico mais barato com autonomia real acima de 300 km custa cerca de R$ 135 mil, valor que exclui a maioria dos compradores brasileiros
- Infraestrutura de recarga: o país tem apenas 5.200 pontos de recarga pública, concentrados em São Paulo e Rio de Janeiro
- Tempo de recarga: em corrente alternada doméstica, completar a carga leva 8 a 12 horas, o que incomoda quem não tem estacionamento privado
O que pode acelerar a adoção
Especialistas apontam que a combinação de isenção de IPI por mais alguns anos, expansão agressiva de eletropostos em rodovias federais e queda natural de preço das baterias de lítio pode colocar o Brasil em trajetória de 5% a 6% de participação de elétricos até 2028. O Programa Mover, do governo federal, caminha nessa direção ao subsidiar a produção nacional e a infraestrutura de recarga.