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Crise de semicondutores ficou para trás: produção nacional bate 280 mil unidades em janeiro

Após dois anos de gargalos na cadeia de suprimentos, as montadoras instaladas no Brasil voltam a operar em capacidade plena.

Dois anos após o ápice da crise global de semicondutores, que chegou a deixar linhas de montagem paradas no ABC paulista, o setor automotivo nacional voltou a respirar aliviado. A produção de janeiro de 2025 atingiu 280.400 veículos, melhor resultado para o mês desde 2019, segundo dados da Anfavea.

O contexto da crise

Entre 2021 e 2023, a escassez de chips de silício — usados em centrais multimídia, módulos de injeção eletrônica, sistemas de assistência ao motorista e dezenas de outras aplicações — forçou as montadoras a reduzir turnos, pausar linhas inteiras e entregar veículos com itens suprimidos. Em alguns casos, carros saíam de fábrica sem o quadro de instrumentos digital ou sem o sensor de estacionamento, com a promessa de retrofit posterior.

Por que a situação normalizou?

A recuperação veio de vários frentes. As fabricantes de chips investiram pesado na expansão de capacidade produtiva, com novas fábricas nos Estados Unidos, Alemanha e Taiwan. Paralelamente, as montadoras diversificaram fornecedores e passaram a estocar componentes estratégicos — prática que antes consideravam ineficiente do ponto de vista de capital de giro.

No Brasil especificamente, a Stellantis e a Volkswagen renegociaram contratos de longo prazo com fornecedores de eletrônicos, garantindo volume mínimo de entrega por três anos.

O legado da crise

A turbulência deixou lições. As montadoras agora mantêm estoques estratégicos de semicondutores críticos e desenvolveram softwares de gestão que alertam sobre potenciais rupturas com até 18 meses de antecedência. O setor saiu mais resiliente da crise do que entrou.

Categoria: mercado