A taxa Selic não é apenas a taxa dos investimentos do Tesouro Direto. Ela é o piso sobre o qual todas as taxas de crédito do país são calculadas, e seus movimentos afetam diretamente o custo de financiamento de veículos — e, por consequência, o volume de vendas, o preço dos usados e a dinâmica do mercado automotivo como um todo.
O mecanismo de transmissão
Quando o Banco Central eleva a Selic, os bancos precisam pagar mais para captar recursos. Esse custo maior é repassado aos créditos que concedem: cartão de crédito, crédito pessoal, financiamento de veículos. Uma Selic de 12% ao ano normalmente resulta em taxas de financiamento de carros entre 18% e 26% ao ano.
Impacto nas vendas de novos
Com crédito mais caro, parcelas maiores para o mesmo valor de veículo. Uma Selic mais alta expulsa do mercado compradores que estariam no limite de sua capacidade de pagamento. O setor estima que cada 1% de alta na Selic retira entre 30.000 e 50.000 compradores do mercado de novos por ano.
O efeito no mercado de usados
Consumidores que perdem poder de compra no mercado de novos migram para os usados. Esse aumento de demanda nos usados pressiona os preços para cima, reduzindo o desconto de depreciação típico. Em 2022 e 2023, período de Selic elevada combinada com escassez de novos, os preços de usados chegaram a subir — fenômeno incomum.
Como se posicionar
Em um ciclo de Selic alta: prefira comprar à vista ou com alta entrada, o usado ganha ainda mais atratividade, e o consórcio sem juros se torna mais competitivo em relação ao financiamento. Quando a Selic cai, o financiamento fica mais acessível e as vendas de novos aumentam, pressionando os preços dos usados para baixo.